E fecham-se as cortinas para o teatro em Curitiba
Chega ao fim mais um Festival de Teatro de Curitiba, um dos maiores orgulhos do cenário cultural da cidade. Esse ano, em sua 20ª edição, a mostra contou com a exibição de mais de 400 peças em 13 movimentados dias de evento.
Mas, fora esses números, qual é o verdadeiro saldo do evento?
Alguns especialistas no assunto chamam a atenção sobre a pertinência, relevância e importância do Festival para fomentar o debate cultural, movimentar a cidade e lembrar o público sobre a existência do teatro em Curitiba. Mas é justamente aí, neste último ponto, que surgem as críticas, tendo em vista que “muita gente acha que só tem teatro em Curitiba quando tem ator global ou durante o Festival. Me parece que no resto do ano não tem importância para as pessoas o que produzimos”, segundo palavras de João Luiz Fiani, diretor do Teatro Lala Schneider.
Tanto é que todos os profissionais desta arte avaliam que no resto do ano o público diminui, e muito. E são vários os motivos: as peças não costumam ter dinheiro para fazer uma divulgação pesada sobre suas apresentações – aí acabam dependendo do boca a boca e de notas da Fundação Cultural de Curitiba (FCC). Durante o Festival, há um inchaço de exibições que acabam
englobando também peças ruins – pelo “fato de não haver uma curadoria”, segundo Juscelino Zilio, diretor do Teatro Barracão EnCena -, o que acaba desestimulando e afastando o público das plateias. E um outro ponto que pode ser levantado sobre essa questão do desinteresse pela produção teatral na cidade é o fato de que ingressos para boas peças de teatro custam, em média, R$ 50,00- R$ 25,00 a meia-entrada, ainda que, vale ressaltar, hoje existam muitas peças gratuitas que podem ser um bom incentivo para que o teatro firme seu espaço no gosto popular.
Independentemente de tudo isso, o Festival de Teatro de Curitiba de 2011 cumpriu bem o seu papel de levar as pessoas às plateias de toda a cidade. Agora que a mostra acabou, o que não podemos deixar acontecer é que as cortinas se fechem para as peças que acontecerão ao longo desse resto grande ano. Afinal, o teatro não é simplesmente entretenimento. É uma lição de linguagem, de expressão corporal e uma fonte inesgotável de cultura.
Então, que os aplausos continuem.







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